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SEMINÁRIO DE FILOSOFIA BOM PASTOR

E

INSTITUTO SAPIENTIA DE FILOSOFIA

A formação dos futuros padres deve ser, em qualquer diocese que se preze, a principal preocupação do Bispo Diocesano e do Clero. Alguns dizem que os seminários devem ser a “menina” dos olhos do Bispo e da Diocese. Em nossa Diocese de Palmas – Francisco Beltrão não poderia ser diferente.

A história da “questão da formação filosófica” dos seminaristas da nossa Diocese é longa. Alguns padres da nossa Diocese estudaram a filosofia em Viamão –RS; outros estudaram em Mariana – MG; outros estudaram em Curitiba – PR e mais recentemente começou o vai e vem do filosofado da nossa região.

Em 1980 foi criado o Seminário Maria Mãe da Igreja, na Diocese de Toledo. Fato contestado por D. Agostinho José Sartori por causa de combinações verbais com o então Arcebispo de Cascavel, D. Armando Círio, na busca de apoio para que o Seminário de Filosofia fosse criado na Diocese de Palmas – Francisco Beltrão para integrar melhor a diocese no conjunto da Província Eclesiástica de Cascavel e para dar uma razão mais forte e eficaz para que esta pertença se concretizasse. De qualquer forma, em 1981 dois seminaristas da nossa Diocese foram enviados para aquele Seminário: Valter Hoinaski e Élcio Alberton. O primeiro desistiu da caminhada seminarística e o segundo foi ordenado por outra diocese e hoje trabalha numa Diocese do Mato Grosso. Estudavam na FACITOL e moravam no Seminário Maria Mãe da Igreja. Em 1982 começou a filosofia, também em Toledo, o jovem seminarista Victor Clemente Muller e em 1983 a turma de Lessir Bortuli e Flávio Luis Volpatto, Saudi Mensor, Albino Muller, etc. O jovem Victor, mesmo sem terminar a filosofia, foi enviado em 1984 para iniciar os estudos de Teologia em Curitiba e terminou os estudos de Filosofia, já como padre, em Palmas, em 1989. Mas no fim do ano de 1983, Dom Agostinho J. Sartori quis que os seminaristas voltassem para a Diocese e em 1984 começou o Seminário de Filosofia em Palmas, na casa ao lado do Santuário Nossa Senhora de Fátima. O primeiro reitor foi o Pe. José Miguel de Oliveira, hoje na diocese de Paranaguá e o segundo reitor foi o padre vicentino Valentin Szchykta CM. Na experiência do Seminário de Palmas formaram-se três turmas: A primeira eram os seminaristas Lessir Bortuli, Flávio Luis Volpatto, Saudi Mensor, etc. A segunda turma era formada pelos seminaristas Geremias Steinmetz, Antonio Clair Rodriguez Muniz, Mário José Giacomel, Tarciso de Andrade, Agostino Cioatto, etc. A terceira turma era constituída pelos seminaristas Geraldo Macagnan, Carlos Raimundo Crestani, Avelino Munaro, Luis Carlos Sbardelotto, José Canan dos Santos, etc. Carlos Raimundo Crestani está numa diocese do Mato Grosso do Sul. A turma de 1986 constituída pelos seminaristas Dilonei Pedro Müller, Nelso Maróstica, Claudiovani Correa, Ademilson Nazário Mensor, Germano André Steinmetz, Cezar Luis Demari, etc. iniciou a Filosofia no Seminário de Palmas e, por diversas razões, foi transferida em 1987 para a cidade de Brusque – SC, onde continuou os estudos na FEBE (Fundação Educacional de Brusque) residindo no SEFISC (Seminário de Filosofia de Santa Catarina) . É neste período que a Diocese de Palmas – Francisco Beltrão começa a enviar os seus estudantes de filosofia para Brusque com a natural aceitação dos bispos daquele Regional.

Em 1988 iniciou a Filosofia em Brusque a turma de Wolney Toigo, Osni Sergio Gonçalves dos Santos, Ercílio Giacomel que terminou o curso naquela instituição.  Em 1991 o estudantado de Filosofia voltou para Toledo, estudando na FACITOL e morando no Seminário Maria Mãe da Igreja. Desta turma de 1991 não sobrou ninguém. Em 1992 começou a Filosofia a turma de Valdinei Battisti que terminou em 1994. Entre 1994 e 1995 a diocese teve estudantes em Toledo (Emerson Detoni) e Brusque (Itacir Franceschina). Emerson, por motivos curriculares, veio terminar a filosofia em Palmas no ano de 1997. Em 1996 iniciou a filosofia o jovem Deucir José Poletti. De 1997 a 1999 cursou a filosofia o jovem Roberto Baroni. De 1998 a 2000 cursaram a filosofia Valdecir Bressani e Marcos Tonial e a partir do ano 2000, Aldemir Francisco Belaver.

Alguns padres acompanharam os estudantes de filosofia em Brusque: O Pe. Valentin Szcykta, CM, o Pe. Dilonei Pedro Müller de 1995 a 1999 e o Pe. Flávio Luis Volpatto de 2000 a 2003 com a última turma. Assim a caminhada em Brusque não foi mais interrompida até o ano de 2002.  Nos anos de 2002 e 2003 a Diocese tinha seminaristas em Brusque e em Francisco Beltrão no recém criado Seminário de Filosofia Bom Pastor e no Instituto Sapientia de Filosofia.

Durante o ano de 2001 a diocese foi comunicada pelos responsáveis do Seminário de Filosofia de Brusque que no ano seguinte não haveria lugar naquele Seminário para os estudantes de Palmas – Francisco Beltrão, pois o número de seminaristas estava aumentando. De posse dessa informação, Dom Agostinho José Sartori e o Conselho de Presbíteros começaram a pensar alguma solução para o problema. Uma possibilidade era construir uma casa para os estudantes em Brusque. A outra possibilidade já estava sendo acalentada nos sonhos dos padres diocesanos que era o projeto de criação do Seminário de Filosofia. Pois surgira a oportunidade. As discussões foram aprofundadas, várias pesquisas foram feitas, pessoas foram consultadas, propostas foram apresentadas e a decisão de criarmos o Seminário de Filosofia foi tomada em outubro de 2001. Entre os argumentos principais para tal empreendimento estavam os seguintes: É necessário parar de andar pra lá e pra cá com os nossos estudantes de Filosofia; uma diocese madura precisa ter os quatro estágios da formação presbiteral bem definidos; os filhos se educam em casa, etc. Outra grande motivação partia do apelo do Papa João Paulo II, na Carta Apostólica Novo Millennio Ineunte em que falava da necessidade de ousar e “avançar para águas mais profundas” ( Lc 5,4). No número 58 da citada Carta Apostólica o Santo Padre diz: “Vamos em frente com esperança! Diante da Igreja abre-se um novo milênio como um vasto oceano onde aventurar-se com a ajuda de Cristo. O Filho de Deus, que se encarnou há dois mil anos por amor do homem, continua também hoje a sua obra: devemos possuir um olhar perspicaz para contemplá-la, e, sobretudo um coração grande para nos tornar instrumentos dela”. A Dom Agostinho e ao Conselho de Presbíteros parecia mesmo ser o momento de ousar e avançar. O então Pe. Osni Sergio Gonçalves dos Santos pesquisou e reuniu informações sobre currículos e professores, local, biblioteca, etc. No dia dessa decisão também foi designado o primeiro reitor e diretor do Seminário e do Curso de Filosofia, respectivamente, este que escreve este artigo.

Aquele período de novembro - 2001 a  fevereiro – 2002 foi de muito trabalho de preparação para o inicio do tão sonhado Curso de Filosofia e do almejado Seminário. Enquanto a decisão se anunciava  o Bispo de Foz do Iguaçu, D. Olívio Aurélio Fazza, pediu a D. Agostinho que aceitasse os seus seminaristas para o primeiro ano de Filosofia, pois não tinha para onde envia-los. Foram aceitos. Também D. Lúcio I. Baumgaertner, Arcebispo de Cascavel, procurou D. Agostinho com o mesmo problema. Também foram aceitos, de tal forma que iniciamos o primeiro ano do Seminário de Filosofia de Francisco Beltrão com 18 seminaristas. Durante o ano de 2002, D. Giovanni Zerbini, Bispo de Guarapuava, também solicitou espaço para os seus estudantes. Vieram fazer parte do Seminário de Filosofia no inicio de 2003.

As instalações iniciais eram todas no antigo prédio do Juvenato dos Irmãos Lassalistas. Este fora adquirido pela Diocese alguns anos antes juntamente com uma boa propriedade de terra encostada na cidade de Francisco Beltrão  e onde, por alguns anos, foram desenvolvidos os trabalhos do Seminário Propedêutico Jesus de Nazaré, situado à Rua do Seminário, no Bairro Jardim Seminário em Francisco Beltrão.

A instalação do Seminário e do Curso de Filosofia aconteceu no dia 26 de fevereiro de 2002. Estavam presentes: D. Agostinho José Sartori, D. Lucio I. Baumgaertner, D. Armando Círio, o Prefeito Municipal de Francisco Beltrão, grande número de padres e leigos, o Coral Municipal de Francisco Beltrão e os seminaristas que iriam iniciar os seus estudos. Foram lidos os decretos de criação e de nomeação. Logo após foi proferida a aula inaugural pelo professor Pe. Dilonei Pedro Muller que, meio ano mais tarde, foi dar continuidade aos seus estudos em Roma. O nome do Seminário de Filosofia Bom Pastor e do Instituto Sapientia de Filosofia foram definidos pelo próprio D. Agostinho no inicio do ano de 2003.

Outra questão interessante foi a decisão de dar continuidade à construção, pois para o ano de 2003 já iria faltar espaço. No primeiro ano tínhamos 18 alunos e no segundo ano iríamos ter 46 alunos. Em maio daquele ano o problema foi apresentado ao Bispo Diocesano e ao Conselho de Presbíteros. Entre tantas possibilidades que foram apresentadas estava a de ocuparmos uma ala da Casa de Formação Divino Mestre; a proposta de construir parecia pesada aos conselheiros, sobretudo porque iria onerar as paróquias da nossa diocese. Depois de um bom tempo de discussão Dom Agostinho bateu na mesa e com voz potente e forte disse: Vamos construir! Começamos a obra e não vamos voltar pra trás. Assim iniciou-se o projeto de construção da chamada “ala nova” do Seminário de Filosofia. Com um empréstimo e a impressionante generosidade dos Párocos, Vigários Paroquiais e o Povo de Deus desta Diocese a obra foi concluída em pouco tempo de modos que iniciamos com uma relativa tranqüilidade o ano de 2003 com 46 seminaristas. Ainda no ano de 2003 foi construída a segunda ala do Seminário e assim ficou equipado para 60 seminaristas. Algo impressionante para o curto prazo de três anos. Além da construção do Seminário novo a parte antiga ocupada no primeiro ano, foi totalmente reformada desde a cerâmica até o telhado deixando as salas de aula bem confortáveis, a biblioteca bem ampla e com um acervo bom para orientar os estudos, a secretaria mais organizada, os banheiros mais arrumados e limpos, sala para computadores, etc.

O Seminário, podemos dizer com orgulho, nasceu e cresceu a partir de um diálogo muito franco e sincero. Primeiramente o diálogo entre o Bispo e o clero para criarmos coragem e dar inicio à caminhada; em segundo lugar o diálogo da Equipe de Formação com os bispos que mantêm os seus estudantes neste Seminário. Com reuniões periódicas os problemas eram discutidos abertamente. O crescimento do Seminário deve-se muito a essa relação aberta com os bispos. Todos eles, sem exceção, entendem de formação presbiteral e as suas observações e sugestões eram e continuam sendo bem vindas e muito valorizadas. Em terceiro lugar, diálogo com os colegas da Equipe de Formação: de 2003 a 2005 o Pe. Leonir Nardi, da Arquidiocese de Cascavel, prestou a sua preciosa ajuda na Direção Espiritual. Bom companheiro de luta e de enfrentamento dos reais problemas da formação. Com seu jeito sincero de ser foi um grande amigo e a quem agradecemos imensamente a doação de sua vida nestes três anos. Ainda em 2003 tivemos a ajuda do então Diácono Evandro Arlindo de Melo que fazia o seu estágio com vistas a ingressar na Diocese de Palmas – Francisco Beltrão. Ainda ajudaram os Diretores Espirituais que também deram um pouco de seu tempo.  Falo de modo especial do Padre Paulo Wanderlei Brishc; Pe. Valdinei Batistti; Pe. Wolney Toigo. Neste campo também não pode-se esquecer a atividade dos professores do Instituto Sapientia da Filosofia. Todos eles demonstraram sempre muito carinho pelo trabalho no Instituto e provavam isso em sala de aula fazendo os alunos estudar com muito afinco. Em quarto lugar, last but not least, o diálogo contínuo com Dom Agostinho. Ele sempre nos disse que o Seminário deve estar em primeiro lugar e que o bispo precisa participar dessa caminhada. De fato, qualquer problema de formação podia-se discutir e conversar com ele e a qualquer hora. Todas as grandes decisões foram tomadas em conjunto com ele e muitas das pequenas decisões de um Seminário foram tomadas inspiradas em sua experiência. A ele agradecemos a abertura de coração, a coragem e a obstinação na luta por aquilo que acredita.

Em dezembro de 2005 a Diocese de Palmas – Francisco Beltrão recebeu um novo bispo: Dom José Antonio Peruzzo. Experimentado na área da formação deu continuidade ao trabalho que vinha sendo feito no Seminário de Filosofia. Nomeou para a Direção Espiritual o Pe. Dilonei Pedro Müller, Mestre em Filosofia, experiente no trabalho de formação, pois havia trabalhado com os estudantes de filosofia no SEFIC de Brusque – SC, durante cinco anos, no Seminário Menor São João Maria Vianney de Palmas, por dois anos e no Seminário Propedêutico de São João por oito meses, antes de ir estudar em Roma. De espiritualidade muito profunda veio para dar um novo impulso na caminhada. Em 2007 foi nomeado o novo Reitor do Seminário e Diretor do Instituto Sapientia de Filosofia. O Pe. Jorge Schafaschek foi nomeado o novo Diretor Espiritual. Deus os abençoe e lhes dê muita força e energia nesta árdua missão.

Os primeiros alunos do Seminário já estão, em 2007, no terceiro ano de Teologia na FAMIPAR, de Cascavel – PR e estão num número considerável. Que Deus abençoe o Seminário com muitos dos seus alunos padres da Igreja. Amém

No ano de 2008 o Seminário de Filosofia Bom Pastor e o Instituto Sapientia de Filosofia contam com 37 estudantes. Considerável está sendo a ampliação nas dependências do Seminário com a construção do Refeitório e espaços anexos. E no Instituto (também neste ano) a presença de novos professores (mestres, mestrandos, doutores e doutorandos) eleva a qualificação e a seriedade desta instituição.

Atualmente (ano de 2009) contamos com 29 seminaristas e 30 estudantes de filosofia (um aluno externo). Destaque deste ano nas dependências do Instituo é a ampliação realizada com a construção do novo auditório proporcionando assim comodidade para os eventos de apresentação de monografias, palestras, conferências e semanas acadêmicas.

Iniciamos o ano de 2010 com novidades: O Seminário de Filosofia tem novo Reitor – Pe. Emerson Detoni e o Instituto Sapientia de Filosofia continua tendo como Diretor o Pe. Dilonei Pedro Müller. Este ano contamos com 29 seminarista e 02 leigos, que não tem por finalidade se tornarem padres.