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QUAL A NATUREZA DA VIOLÊNCIA NA RELIGIÃO?

QUAL A NATUREZA DA VIOLÊNCIA NA RELIGIÃO?

KEMPKA, André1 e RIBAS, Lucas2

Resumo: O referente trabalho tratará acerca da justificativa da violência na religião. Essa justificativa encontra espaço no ambiente do fundamentalismo religioso, que é ocasionado por uma interpretação ipsis literis dos livros sagrados em cada religião. Esses grupos fundamentalistas sobrepõem a sua interpretação sobre o que realmente esses textos dizem. E usam deles para justificar a violência contra aqueles que não eram adeptos à sua crença religiosa. Portanto, a religião acaba por ser um instrumento onde é usada a violência para sustentar o fundamentalismo religioso. Palavras-chave: Religião; Fundamentalismo; Violência, Justificativa.

INTRODUÇÃO

De fato, vivemos em um mundo rodeado de impunidade, descaso, soberba e ganância. Destes predicados, é importante compreender que ao praticá-los, e até mesmo ser vítima deles, o homem, por vezes, acaba por sucumbir ao seu desejo de poder e sua elevação o torna um “pseudo-soberano”, levando-o a agir com violência e autoritarismo sobre os demais. Em linhas gerais, o caráter psicológico do homem é que o insere em uma cadeia de fatos e causas que geram a violência.  A reflexão antropológica e filosófica, aponta para a religiosidade como sendo uma necessidade do homem, Leloup afirma que “Alguns verão, na origem do sentimento religioso do homem, o medo diante das forças da natureza e uma maneira de se reconciliar com elas por meio de rituais e sacrifícios.” (LELOUP, 2006, p. 10). Assim, a presença do medo3 já encontra-se, nesta explicação, na origem da religião. Este medo leva o homem, inevitavelmente, a uma constante busca por superá-lo, e muitas vezes este homem não mede esforços para garantia de sua sobrevivência. Caindo assim em ações contrárias a natureza humana criada por Deus (Cf. Gn 2) que configura-se como ação violenta.  Contudo, não é via de regra que a violência seja apenas um desvio ou uma necessidade selvagem de subsistência manifesta por alguns. Em muitos casos, como percebese ao longo da história, desde a perseguição do povo de Israel, passando pela perseguição primitiva dos cristãos, tocando os violentos golpes contra judeus pelos nazistas até os recentes

1  Acadêmico do sexto período de Filosofia – ISF. E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. 2 Acadêmico do sexto período de Filosofia – ISF. E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. 3 O medo expresso pelo autor não é considerado apenas como temor ou simples medo (como usado habitualmente). É um medo de estar subjugado as forças da natureza, de não poder compreendê-las ou vivenciálas de modo que não cause sofrimento demasiado. Este medo é ilustrado pelas primeiras tentativas de explicar os fenômenos naturais através da mitologia. Buscando agradar aos deuses para que as forças da natureza não incidissem contra o povo ou os deuses não se irassem manifestando sua cólera por meio de ventos fortes, chuvas, fogo, etc.

ataques de 11 de setembro de 2001 e a cristãos do oriente médio, a violência vem ancorandose em um álibi, a religião.  A este álibi, Leloup denomina: “A guerra santa, jihad ou cruzada – pouco importa o nome – é considerada um “esforço sincero para destruir os infiéis e transmitir a verdadeira fé”!”. (LELOUP, 2006, p. 13). Assim, busca-se uma justificação da violência religiosa, por meio de uma defesa de crenças. A religião torna-se produto e motivo de guerra.  Deste modo, o presente artigo versará a respeito da justificação da violência por meio da religião. Primeiramente buscando esclarecer a intima relação entre o homem e a religião. Em um segundo momento apresentando as origens do fundamentalismo religioso. E por fim, apresentando alguns acontecimentos que marcaram a história, registrados como atentados religiosos, ilustrando assim, como, em nome do sagrado, o homem viola a dignidade e a soberania da vida.

O HOMEM E A RELIGIÃO

Etimologicamente religião é o termo derivado do latim que significa religar. Este “religar” infere uma relação, que nesse caso é relação ao divino, ao sagrado. Antropologicamente a religião é parte constituinte do homem. A religiosidade forma em partes a constituição de qualquer civilização. O homem é religioso e anseia por religiosidade em sua constituição geral e ontológica, como afirma Eliade (2008) “Essa necessidade religiosa exprime uma inextinguível sede ontológica. O homem religioso é sedento do ser”. (ELIADE, 2008, p. 60). Ou seja, em seu ser o homem é sacral (religioso). Para justificar sua posição acrescenta ainda, “Não se deve esquecer que, para o homem religioso, a sacralidade é uma manifestação completa do Ser”. (ELIADE, 2008, p. 116).  Sendo o homem um ser religioso, aquilo que ele forma também possui características e bases religiosas, ou seja, a cultura (Cf. BELLO, 1988, p. 65). Uma sociedade formada de homens ontologicamente religiosos é uma sociedade religiosa. Esta é uma característica das grandes civilizações, em geral, nota-se que todas as grandes civilizações nasceram em torno de figuras religiosas.

O FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO

O fundamentalismo religioso está presente em todas as religiões, todavia, abordaremos ele em três: Cristianismo, Judaísmo e Islamismo. Este pensamento nasceu independente das religiões ou de alguma crença particular. Ele estando inserido nas religiões, e acaba por disseminar grandes preconceitos, tornando-se intolerante com crenças diferentes da sua.  Com isso, torna-se contrário aos ensinamentos de suas respectivas religiões, as quais pregam a convivência pacífica entre os fiéis e a aceitação entre todos os seres humanos. Este fundamentalismo é assim definido por Leonardo Boff:

É assumir a letra das doutrinas e normas sem cuidar de seu espírito e de sua inserção no processo sempre cambiante da história, que obriga contínuas interpretações e atualizações, exatamente para manter sua verdade essencial. Fundamentalismo representa a atitude daquele que confere caráter absoluto ao seu ponto de vista. (BOFF apud BENINI, 2012, p. 2).

A maneira de agir destes grupos fundamentalistas traz inúmeras consequências para a humanidade, impactando à cultura, às leis e de forma geral a sociedade. “Hoje, o fundamentalismo religioso, como prática, se encontra presente em quase todas as sociedades e muitas das religiões [...]” (BENINI, 2012, p. 3). Desta forma, a religião que deveria ser um  instrumento de paz e unidade, acaba sendo contexto de diferentes formas de violência.  Contudo, não se pode negar que as três religiões citadas anteriormente, tem suas relevâncias na criação da identidade de seus respectivos povos. O Judaísmo tem seu papel de constituição do povo hebreu; o Cristianismo para o povo europeu; e o Islamismo para os povos árabes. E cada uma destas religiões tem seu livro sagrado, para o Judaísmo é o Torá ou pentateuco, onde se encontram as leis; no Cristianismo é a Bíblia, contendo ela 73 livros, divididos Antigo e Novo Testamento; e para o Islamismo é o Alcorão.  Destarte, o grande problema se encontra na interpretação que estes grupos fundamentalistas fazem destes livros sagrados. Não se deve negar que a violência está presente nestes textos, mas, “Por mais sagrados que sejam os textos fundadores, a fé é inseparável de uma hermenêutica. E nenhum texto se reduz à interpretação que lhe queiram dar fundamentalistas ou liberais.” (BENOIST apud PINTO, 2009, p. 12).

Com o passar dos anos as interpretações feitas acerca dos livros sagrados adquiriu novas características, passando a representar grupos fundamentalistas. E estes sobrepuseram a sua interpretação sobre o que realmente esses textos diziam. E usaram deles para justificar a violência contra aqueles que não eram adeptos à sua crença religiosa.  Os fundamentalistas religiosos apoiam a interpretação literal destes textos, e além disso, eles encontram-se na ala mais conservadora de cada religião, não apoiando a evolução que estas crenças tem. Desta maneira, Benini explicita essa questão:

[...] independente da religião professada, o fundamentalista religioso atual acredita em uma verdade literal, inerrante, extraída de seus textos sagrados. E, em razão desse literalismo, opõem-se a novas interpretações ou qualquer mudança em seus princípios. Acreditando que as menores alterações de seus conceitos sejam ofensivas a Deus. (BENINI, 2012, p. 5).

Um exemplo disso é o fato da criação para os cristãos, os quais acreditam que tudo aconteceu mesmo em sete dias, e que Adão foi o primeiro homem, e Eva foi feita de uma costela sua. E essa postura influencia na moral, na família, no trabalho, e de modo geral na sociedade que está envolvida neste contexto. Eles tomam a interpretação ipsis literis, isto é, ao pé da letra. Sendo assim, “[...] o fundamentalismo religioso, representa um fenômeno de grande importância, pois sua influência hoje ultrapassa os limites da religião, ocupando espaços na política, na economia e na cultura dos povos.” (BENINI, 2012, p. 6). E ele carrega um traço ideológico muito grande, e se contrasta com a visão contemporânea, despertando a intolerância religiosa.  No Judaísmo, onde vemos de forma mais clara como a religião e o Estado estão intimamente ligados, o fundamentalismo tornou-se um grande obstáculo na construção de um acordo de paz, o qual permitiria a coexistência de um Estado Palestino e outro judeu. E ele transformou-se em um projeto político, deixando de lado a prática religiosa, que deveria ser constante na vida cotidiana dos judeus. Com isso, a religião torna-se motivo de guerra. Já no Cristianismo, que tem suas bases no Judaísmo, mas que ganhou novo significado com Jesus Cristo, o fundamentalismo se originou na aliança da Igreja (poder espiritual) com o Estado (poder temporal). Desta aliança originou-se as cruzadas, a inquisição, a contra-reforma e guerras entre grupos cristãos. E isso torna-se um paradoxo para os cristãos, pois, seus princípios são pacifistas. “Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.” (Mt. 5, 9). E tudo isso foi alterado em vista do pretexto da integridade e da defesa da fé. Além disso, o Cristianismo passou a ser caracterizado como

violento, devido não somente pelas cruzadas e pela inquisição, mas também pelas alianças com o próprio poder temporal.  No Islamismo, que tem como fundador o Profeta Maomé, um enviado de Deus para anunciar sua palavra e converter a cidade de meca, o fundamentalismo religioso também é marca forte. Em um dos seus dogmas, os fiéis são orientados ao esforço para a propagação da fé muçulmana. “Convoca (os humanos) à senda do teu Senhor com sabedoria e uma bela exortação; dialoga com eles de maneira benevolente...” (Alcorão Sagrado, Sura 16, versículo 125). Todavia, na história vemos uma imposição desta fé para a conversão dos povos, e não uma mensagem feita de forma pacífica.  Ainda mais, neste século foi visto fortes expressões do fundamentalismo islã, onde pode-se citar o exemplo dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. E isso constitui muitas dificuldades entre a relação dos países e principalmente dificulta o diálogo interreligioso, uma vez que “[...] a violência não provém exclusivamente da parte do adversário, mas é também assumida pelo crente, que recorre a ela com toda legitimidade.” (PINTO, 2009, p. 13).  Sendo assim, o fundamentalismo religioso tem em seu seio a violência como forma de proteção daquilo que ele interpreta literalmente das escrituras. E não se pode negar que a violência está presente na religião, pois, como afirma Schmuel Trigano: “[...] existir é estar na violência e o Deus bíblico é um Deus presente na história e no mundo dos homens.” (TRIGANO apud PINTO, 2009, p. 14).  Portanto, as religiões acabam por ser um instrumento onde é usada a violência para sustentar o fundamentalismo religioso. Todavia, não se deve esquecer que essas mesmas têm em seus seios a dignidade de serem portadoras da paz social, transformando o mundo e a sociedade num espaço melhor para a convivência entre os indivíduos.

O SAGRADO COMO IDENTIDADE ÉTNICA E JUSTIFICATIVA DA VIOLÊNCIA

Inúmeros grupos são reconhecidos e caracterizados por suas relações com o sagrado. Esta é uma maneira de definir limites e a personalidade de cada grupo, nação ou civilização. Ou seja, a religiosidade define certa identidade. Assim, conhecemos muçulmanos por suas atividades religiosas oracionais e em público, judeus por suas vestes típicas, budistas por suas expressões corporais e de vestuário, cristãos por seus símbolos e gestos que imitam os de Cristo etc.

Mas, esta identificação, torna o homem pertencente a um meio ou grupo, o torna membro de um clã, de uma nação, de uma religião. Sendo membro de um grupo, o homem tende a defende-lo, por instinto de sobrevivência. E segundo Noé existe no homem “[...] a permanente luta da vida contra a tendência de destruição”. (NOÉ, 2004, p. 144). Defender-se é mostrar-se forte, soberano, poderoso sobre os demais. Assim, membros de grupos religiosos tendem a mostrar-se acima de grupos considerados inferiores, impulsionados pelo desejo de poder acabam por cometer ações violentas.  As diferenças de credos, cultura e modus vivendi, confirma no homem uma singularidade, e segundo Oliveira (2012) “[...] as diferenças percebidas como algo negativo deram origem a preconceitos que geraram e legitimaram os mais variados tipos de violência [...]” (OLIVEIRA, 2012, p. 14).  Assim, percebemos como a religião torna-se justificativa de atos violentos. De fato, o sagrado não é garantia de que se possa matar ou destruir, porém é usado como instrumento de justificação de atrocidades e ações dolorosas para a humanidade.

VIOLÊNCIA EM NOME DO SAGRADO

Frequentemente os noticiários são carregados de notícias que comunicam atos violentos em nome do sagrado. Habitualmente pergunta-se “Pode a religião ser causa da violência? [...] Pode alguém utilizar o nome de Deus para matar?” (OLIVEIRA et ECCO, 2012, p. 4).  Já vimos que a religião forma a cultura humana, de modo que, forma também o caráter e o modus vivendi dos indivíduos.  Podemos citar os diversos fatos que marcaram a humanidade a partir de extremismos religiosos. Cronologicamente e dando alguns saltos ilustramos com os seguintes: Exilio do povo de Israel na babilônia, iniciado no ano 609 a.C, que tinha como finalidade o definhar da cultura judaica que oferecera riscos ao reinado de Nabucodonosor e assim gerou hostilidade entre o povo judeu que retornou para sua terra e viu tudo destruído e uma multiplicidade de culturas e povos que dominaram seu território e os impediam de manifestar sua fé por meio da violência.  Dando um salto histórico, nos deparamos com a perseguição à Cristo, que de certo modo se justificava religiosa e politicamente, uma vez que Jesus era visto como perigo para os poderosos e detentores do poder religioso de sua época. Chegando a ser crucificado pelos chefes de seu próprio povo. E como consequência, seus seguidores também sofreram perseguições por propagarem sua doutrina e anunciarem o Evangelho.

Mais à frente, após um período de 1300 a 1500 anos, nos confrontamos com os fatos históricos que manifestam tanto o domínio do poder religioso quanto político, com a busca por territórios e o uso da força para conquistar terras em nome de Deus, o que é conhecido como cruzadas. Mais além, neste mesmo período, houve a perseguição e condenação de homens e mulheres consideradas hereges, por não seguirem ou anunciarem a doutrina cristã católica. Fato conhecido Santa Inquisição.  Alguns séculos depois, ocorreram os atos violentos do regime nazista que julgava, condenava e matava judeus, apenas por suas convicções religiosas. Foi um ato político e brutal, contudo, manifestava a pseudo-superioridade de uma raça, cuja religião era o cristianismo. Porém, após a queda do regime nazista, judeus também se rebelaram contra os cristãos, matando-os e condenando-os como culpados de toda a perseguição política e étnica imposta pelo nazismo. Já neste século, o mundo foi impactado pela notícia do atentado de 11 de setembro de 2001, em que extremistas islâmicos, em nome de Ala, atacaram edifícios norte-americanos, com a justificativa de acabarem com os “infiéis”. Manifestaram assim, sua capacidade para a guerra em nome do sagrado, destruindo e aniquilando aqueles que consideram religiosa e moralmente inferiores a eles e indignos de existência.  Outro fato mais recente são os ataques a cristão no oriente médio. Em nome do Sagrado, mata-se e destroem-se culturas e povos. Pelo fato de professar a fé em cristo, homens e mulheres são levados ao martírio, como vemos no caso de 21 cristãos decapitados pelo estado islâmico em 15 de fevereiro de 2015.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante do exposto percebe-se que a religião tem sua influência no Estado e assim vice-versa. Este relacionamento depende exclusivamente das doutrinas de cada religião. Temse o exemplo que no Brasil a maior parte da população é cristã, desta forma há uma interferência destes valores em favor da defesa da vida, seja ela para não aprovar ao aborto, a pena de morte ou até mesmo a prática da eutanásia. Já no Oriente médio, pela predominância do Islamismo, o Estado é determinado de forma contundente pela religião, onde ele promove ataques em defesa da fé. Portanto, a violência na religião é justificada com base na interpretação ipsis literis dos livros sagrados de cada doutrina. Com isso, o fundamentalismo religioso se torna algo que deve ser observado com cautela.

 

REFERÊNCIAS

BELLO, Ângela A. Culturas e religiões – uma leitura fenomenológica. Bauru – SP: EDUSC, 1988.

BÍBLIA SAGRADA. Tradução da CNBB. 10ª edição. Canção Nova, 2010.

ELIADE, Mircea. O Sagrado e o Profano: a essência das religiões. São Paulo – SP: Martins Fontes, 2008.

NOÉ, Sidney Vilmar, Religião e violência: da repressão da agressividade à sua sublimação. In: SANTOS, Mabel Salgado Pereira; SANTOS, Lyndon (org.). Religião e violência em tempos de globalização. São Paulo – SP: Paulinas, 2004.

OLIVEIRA, Irene Dias de et ECCO, Clóvis. Religião, violência e suas interfaces. São Paulo – SP: Paulinas, 2012.

 

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