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Ora, uma gnosiologia que no extraia os seus princpios das vsceras do ser sempre acabar apelando a muletas com as quais no conseguir subir regio da inteligibilidade dos entes. E este justamente o drama do kantismo: a laboriosa anlise transcendental feita na Crtica da Razo Pura
est condenada ao malogro justamente por se dar num horizontecontra naturam intellectus na medida em que as verdadeiras condies transcendentais da subjetividade humana no poderiam vir seno do ser (que Kant parece desconhecer absolutamente), e no de ilusrias categorias a priori. O ser a raiz possibilitante sem a qual nem sujeito nem objeto do conhecimento poderiam sequer existir. Falaremos um pouco mais sobre isto quando trouxermos luz os princpios da metafsica do ser de Santo Toms de Aquino, pelo vis de sua redescoberta pelo italiano Cornelio Fabro, no sculo XX.

A revoluo copernicana de Kant se consuma na idia de que o objeto extramental (os entes, portanto) no orienta a inteligncia e no a conduz, portanto, verdade ontolgica. Ao fim e ao cabo, nesse peculiar sistema a inteligncia que cria o objeto em sua prpria imanncia subjetiva. Como se v, Kant o pice de uma longa caminhada filosfica a chamada ontologia em primeira pessoa
que se iniciara historicamente noCogito de Descartes, embora j estivesse esboada em Duns Scot. Em suma, desarticulado do ser, como afirma Derisi, o conhecimento perder totalmente a sua unidade objetiva e, com isto, se esvanecer a unidade hierrquica entre todas as potncias do ato de ser do homem (corprea, vegetativa, sensitiva e espiritual).

Escapou a Kant e a todos os idealistas modernos, fundadores ou adeptos das filosofias mais abstrusas, que, para ser factvel, o Cogito
precisa de umcogitatum, ou seja: s podemos conhecer algoque , ou, noutras palavras, que esteja posto diante de nossa inteligncia como absolutamentedistinto dela. Por esta razo, a identidade intencional entre o sujeito e o objeto do conhecimento analgica, e no unvoca, pois quando nos apossamos da forma de outro ente ns o fazemos imaterialmente esem deixar de ser o que somos, como alis j ensinara Aristteles, muito pouco estudado pelo filsofo de Knigsberg.
O idealismo crtico de Kant tem como efeito prximo imediato oautonomismo moral. Sim, pois se a inteligncia e o ser esto radicalmente desvinculados, ou parecem pertencer a universos paralelos que jamais se encontram, a nossa relao com as coisas no poder ser orientada pela inteligibilidade dos entes e, portanto, a nossa vontade acabar por ser absolutizada: ao fim e ao cabo, eu quero e elejo isto ou aquilo no por uma alegada ratio (fundada no ser), mas simplesmenteporque quero. Em sntese, no havendo uma regra objetiva das nossas aes que provenha do prprio ser, ao qual s podemos formalmente ter acesso pela inteligncia, toda e qualquer moral serautnoma, no sentido de que nada ter a ver com a natureza das coisas.

A moralidade ou imoralidade dos atos humanos, num universo como este, ser absolutamente arbitrria e irracional e provir deimperativos categricos cuja fora normativa no outra seno a da vontade individual. Partindo de tais princpios, aconselha Kant: Age como se a mxima de tua ao devesse tornar-se,
por tua vontade, lei universal da natureza (imperativo universal); e age de tal modo que possas fazer uso de toda a humanidade (...) semprecomo fim e nunca como meio (imperativo prtico).


Nos Fundamentos para uma metafsica dos costumes

Por estas e por outras razes se pode dizer que Kant o cume do voluntarismo antropocentrista que faz com que a lei e a moral saiam das entranhas imanentes da vontade humana. Com tal filosofia idealista, estamos como que esquizofrenicamente apartados dos entes e, tambm, de Deus, pois o centro das atividades humanas deixa de ser o ser extramental (os entes) e, a fortiori, o Ser Divino (oIpsum Esse). Em Kant, o nosso acesso a Deus est formalmente vedado pelo solipsismo gnosiolgico e pelo autonomismo moral que so a expresso mxima da sua filosofia.

Uma filosofia que encarna com particular nfase a tragdia do homem moderno.


diz Kant que a representao de um princpio objetivo que constrange a vontade chama-se ordem da razo, e a frmula de mando denomina-se imperativo, e entre elas no h um vnculo essencial, mas to somente acidental. Como se v, a sua moral no se apia e nem poderia apoiar-se em nenhuma racionalidade, mas numa espcie de vontade cega desvinculada da inteligncia, estando esta, por sua vez, sem quaisquer liames tonificantes com o ser.

Fonte: http://contraimpugnantes.blogspot.com/2010/01/o-apriorismo-de-kant-e-suas.html

 

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